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Cafés Históricos de Portugal
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Cafés Históricos de Portugal

Enfrentaram vários períodos conturbados da história do país e continuam de portas abertas para quem os quiser visitar. Conheça estes 13 cafés emblemáticos numa próxima viagem.

22 de maio 2020
1 A Brasileira, Braga

A Brasileira, Braga

No Largo Barão de São Martinho, a pouca distância da Torre de Menagem de Braga, nasceu, em 1907, o Café A Brasileira. Fundado por Adolpho de Azevedo, negociante portuense e vice-cônsul do Brasil, o estabelecimento é um dos mais antigos da cidade. Na altura em que abriu portas era frequentado pela elite local e o uso de gravata pelos homens chegou mesmo a ser um dos requisitos de entrada.
Hoje a moagem do café na hora continua a ser uma das caraterísticas de A Brasileira, com uma grande procura pelo mazagran ou pelo tradicional café de saco.
2 Vianna, Braga

Vianna, Braga

O Café Vianna abriu portas em 1858, como comprovam as referências à sua existência na imprensa local da altura. O emblemático café bracarense, situado no edifício da Arcada, em plena Praça da República, foi sempre ponto de paragem na cidade.
A história deste estabelecimento é longa, tendo por ali passado artistas, políticos e escritores de renome, como Eça de Queiroz e Camilo Castelo Branco.
O Café Vianna acolheu igualmente reuniões políticas em alturas decisivas para o país. Foi dali que partiu o Movimento de 28 de Maio de 1926, liderado pelo general Gomes da Costa, numa ação que conduziu ao fim da Primeira República Portuguesa.
A história deste espaço parece continuar presente nas mesas de tampo de mármore ou nas cadeiras com mais de um século. Uma memória viva para quem é assíduo ou para quem está apenas de passagem.
3 Milenário, Guimarães

Milenário, Guimarães

Inaugurado em 1953, o Café Milenário nasceu exatamente na data em que a cidade de Guimarães comemorou um milénio de existência.
Localizado no Largo do Toural, colado à Torre da Muralha que ostenta a célebre frase “Aqui nasceu Portugal”, o Milenário mantém a arquitetura original, mesmo tendo sofrido melhoramentos com o passar do tempo.
A essência, essa, continua lá bem viva. O café continua a ser um espaço de encontro dos vimaranenses e um local privilegiado para convívios e tertúlias.
4 São Gonçalo, Amarante

São Gonçalo, Amarante

Fica no Largo da Igreja de São Gonçalo, perto do Rio Tâmega, mesmo no centro de Amarante. Fundado na década de  1930, o Café-Bar São Gonçalo é um ex-libris da cidade.
O mais antigo café de Amarante integra a rota dos cafés com história de Portugal e da Europa, tendo tido desde sempre um papel ativo na vida cultural local.
Nomes como os de Mário Cesariny, Cruzeiro Seixas e António Largo Cerqueira são apenas alguns dos muitos que por ali passaram, entre figuras ligadas às artes, à política ou ao mundo empresarial.
Teixeira de Pascoaes, filho da terra, é um dos mais emblemáticos, já que o poeta fez do São Gonçalo o seu pouso preferido para escrever. De tal forma, que lhe valeu uma estátua de bronze colocada no interior do estabelecimento.
Para lá das memórias passadas, este café é ainda hoje palco de tertúlias, conferências, apresentações de livros e até encontros políticos.
5 Aviz, Porto

Aviz, Porto

O Café Aviz, localizado na rua com o mesmo nome, entra na lista dos cafés emblemáticos a visitar no Porto.
Nasceu em 1947 e desde então que se tornou num ponto de encontro para jovens estudantes. Procurado como salão de jogos ou de chá, o Café Aviz faz igualmente homenagem ao Rei de Portugal D. João I. No interior existe um quadro de azulejos com a imagem do Mestre de Aviz que se destaca em contraste com a decoração simples deste espaço.
6 Guarany, Porto

Guarany, Porto

Em 1933, na Avenida dos Aliados, no Porto, nasceu o Café Guarany. A localização privilegiada deste estabelecimento ditou que fosse eleito como um dos lugares de excelência da cidade para convívio e realização de eventos culturais.
Ainda hoje, o Guarany é palco de concertos, noites de fado, tertúlias e debates, sendo frequentado por músicos, intelectuais e políticos da Invicta.
O café portuense vai buscar o nome aos povos indígenas brasileiros, numa clara alusão ao Brasil do século XX como um dos principais produtores mundiais de café.
Por tal, conta na decoração com um alto-relevo em mármore de um índio da autoria do escultor Henrique Moreira. 
Desde da sua recuperação, em 2003, e que incluiu o restauro de muitos dos elementos originais, o espaço apresenta também em grande destaque dois painéis da pintora Graça Morais, onde a artista retrata o modo de vida da tribo Guarany.
7 Majestic, Porto

Majestic, Porto

Em 1921, pela mão do arquiteto João Queiroz, nascia, na Rua de Santa Catarina, um espaço  que havia de se tornar num dos maiores ex-libris da cidade: o Majestic.
Este emblemático café começou por se chamar “Elite”, mas influenciado pelo ambiente burguês e chic que se vivia no início do século XX, acabaria por mudar para o nome pelo qual ainda hoje é conhecido.
Por este café que surgiu no Porto da “Bélle Époque” passaram nomes importantes da história nacional. De José Régio, Teixeira de Pascoaes, Leonardo Coimbra ou o artista Júlio Resende, ao piloto aviador Gago Coutinho, que se fazia acompanhar por belas e importantes mulheres, entre elas a conhecida atriz Beatriz Costa.
Com o passar do tempo também o Majestic teve os seus altos e baixos, entrando em declínio até 1981, altura em que foi considerado Imóvel de Interesse Público. Fruto disso sofreu obras de recuperação e, em 1994, abriu novamente portas à cidade.
Este estabelecimento permanece hoje como um dos maiores e mais belos exemplos de Arte Nova na Invicta.
8 Santa Cruz, Coimbra

Santa Cruz, Coimbra

O Café Santa Cruz, na Praça 8 de maio, em Coimbra, vive paredes-meias com a igreja que serve de Panteão Nacional por guardar os túmulos de D. Afonso Henriques, o primeiro Rei de Portugal, e de D. Sancho I.
Abriu portas em 1923 depois do edifício onde se encontra, datado de 1530, ter servido outras funções. Foi armazém de ferragens, esquadra de polícia, casa funerária, quartel de bombeiros e, por fim, café emblemático da cidade dos estudantes.
Ao estilo manuelino e com uma fachada da autoria do arquiteto Jaime Inácio dos Santos, o Café Santa Cruz é pautado pelo mobiliário em madeira escura e pesada e mesas com tampos em mármore. Mas um dos seus maiores atrativos são os crúzios, um doce regional feito à base de ovo e amêndoa, uma das referências gastronómicas para descobrir na cidade.
9 Paraíso, Tomar

Paraíso, Tomar

Na Rua Serpa Pinto, em Tomar, está um dos cafés incontornáveis da cidade e do país: o Café Paraíso.
Abriu portas em 1911, no mesmo ano em que a Marie Curie ganhou o Nobel da Química e o escudo se tornou moeda oficial.
Se as paredes falassem o que não faltavam eram histórias para ouvir por aqui. O estabelecimento sempre foi ponto de encontro dos tomarenses e por lá passaram figuras proeminentes da sociedade, como o compositor Fernando Lopes-Graça ou o escritor Umberto Eco.
Contando com mais um século de história, o Café Paraíso já sofreu alguns restauros, sendo que os elementos que lá se encontram hoje vieram de países como a Itália ou a Alemanha.
10 A Brasileira do Chiado, Lisboa

A Brasileira do Chiado, Lisboa

Falar de cafés em Lisboa e não mencionar A Brasileira do Chiado é algo impensável. O poiso preferido do escritor Fernando Pessoa é um marco na capital e faz parte de todos os roteiros turísticos.
Inaugurado em 1905 por Adriano Telles, este espaço veio, na altura, introduzir o conceito de “bica”, uma vez que começou a servir aos clientes que ali iam para comprar os sacos de café , o líquido servido em chávena retirado diretamente da torneira.
Rapidamente se tornou num ponto de paragem da elite intelectual lisboeta. Para lá de Pessoa, era comum por lá passarem artistas como Almada Negreiros, Eduardo Viana, Bernardo Marques ou Stuart Carvalhais.
Palco de conversas cruzadas e tertúlias, foi naquelas mesas que surgiu a mítica revista Orpheu, que inspirou movimentos literários e modernistas.
Aos dias de hoje, A Brasileira do Chiado continua a apresentar com orgulho um incrível interior em Art Déco, onde prevalecem as madeiras, os espelhos e as pinturas modernistas. Já para não falar da estátua em bronze de Fernando Pessoa que se encontra na esplanada, com a qual todos os que por ali passam se querem sentar à mesa.
11 Martinho da Arcada, Lisboa

Martinho da Arcada, Lisboa

E já que falamos de Fernando Pessoa, há que mencionar o Martinho da Arcada, outro dos cafés históricos de Lisboa.
Localizado no Terreiro do Paço, debaixo de uma das arcadas da praça, o Martinho da Arcada foi inaugurado em 1782 por Julião Pereira de Castro, então neveiro-mor da Casa Real, sob o nome “Casa da Neve”. O estabelecimento passaria por outras nomenclaturas, como “Casa de Café Italiana”, “Café do Comércio”, “Café dos Jacobinos”, “Café da Neve” e “Café da Arcada do Terreiro do Paço”. Em 1829, Martinho Bartolomeu Rodrigues chama-lhe Café Martinho e, mais de uma década depois e para evitar confusões com outro estabelecimento que detinha no Largo Camões, opta por “Café Martinho da Arcada”.
Ao longo dos séculos, por aquela casa passaram gerações de governantes, políticos, artistas e escritores, sendo espaço privilegiado para tertúlias e eventos culturais, um fim que ainda hoje prevalece.
Se visitar o Martinho da Arcada encontrará a mesa onde Pessoa se sentava, com alguns objetos que pertenciam ao escritor. Mas saiba que outras homenagens foram feitas a anteriores clientes e existem mesas dedicadas a Eduardo Lourenço, José Saramago, Júlio Pomar, Manoel de Oliveira e Ruy de Carvalho.
12 Nicola, Lisboa

Nicola, Lisboa

Este conhecido café lisboeta surgiu no século XVIII, por iniciativa de um italiano de nome Nicola que chamou ao estabelecimento “Botequim do Nicola”. Um dos primeiros do género na cidade, logo se tornou num espaço frequentado por ilustres personagens do mundo da cultura e da política nacional. Manuel Maria Barbosa du Bocage foi um deles.
Um dos últimos grandes cafés históricos da capital portuguesa, o Café Nicola (nome que ganharia em 1928) nasceu como uma obra arquitetónica ao estilo Art Déco, com talha de madeira, ferro forjado e vários lustres. Em 1935 foi remodelado, seguindo um projeto modernista de Raul Tojal, mas ainda conta com a fachada original e uma escultura da autoria de Marcelino de Almeida em homenagem ao poeta Bocage, um dos mais ilustres clientes da casa.
13 Arcada, Évora

Arcada, Évora

Localizado na Praça do Giraldo, em Évora, o Café Arcada inaugurou em 1942 pela mão de um grupo de quatro comerciantes locais.
Sendo considerado um dos mais modernos da época, desde cedo que o Arcada foi frequentado pela burguesia eborense, grupos de intelectuais, artistas e estudantes. Vergílio Ferreira foi um dos que por lá passou, fazendo menção ao Arcada no romance “Aparição”.
Pela posição privilegiada na Praça do Giraldo, local muitas vezes usado para realização de feiras, logo comerciantes começaram a frequentar o estabelecimento, bem como pessoas ligadas à tauromaquia e ao mundo rural.
Por meados dos anos 1960 o estabelecimento começou a dar sinais de algum declínio, acompanhando a mudança na sociedade eborense, e chegou mesmo a fechar portas durante alguns anos.
No final do século passado, a Cervejaria Trindade pegou no espaço, remodelou-o e reabriu-o, mantendo o nome de Café Arcada e até a velha porta giratória que sempre foi uma imagem de marca deste café.
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