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Tanta História Num Só Boneco
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Tanta História Num Só Boneco

Os Bonecos de Estremoz representam a identidade cultural do povo alentejano e estão candidatos a Património Cultural da Humanidade. Vamos conhecê-los?

03 de maio 2016

Produção de Figurado em Barro é o nome técnico para designar o fabrico de figuras tradicionais. Mas estas são especiais e merecem o título. Vêm de Estremoz e carregam em si a identidade cultural desta cidade alentejana.

O Bonecos de Estremoz, como são conhecidos, são peças artesanais que contam com mais de três séculos de história, estando hoje inventariadas mais de cem figuras diferentes. O número não impede que todos os dias se inventem novas temáticas para estas peças, todas relacionadas com o quotidiano das gentes alentejanas.

Bonecos de Estremoz

As primeiras referências ao figurado de Estremoz datam do séc. XVIII
, com registos da existência das “boniqueiras”, mulheres que faziam peças em barro.

O início da produção dos Bonecos de Estremoz terá nascido da vontade do povo de ter em casa os santinhos de culto. Com poucas condições para adquirir imagens em talha, crê-se que terá partido de uma das mulheres que trabalhava o barro a aventura de criar as peças para devoção particular.

Com o passar do tempo, os Bonecos de Estremoz deixaram de ser apenas imagens de cariz religioso para adquirir novas formas e representação. Sempre apostando nas cores garridas.

Bonecos de Estremoz

Os presépios de altar, o “Amor é cego”, a “Primavera”, os “Fidalgos e fidalguinhas” ou a “Rainha Santa Isabel” são apenas algumas das imagens mais conhecidas.

Em terra onde o barro era abundante, a tradição nasceu e nunca mais terminou. A Produção de Figurado em Barro de Estremoz integra o Inventariado Nacional do Património Cultural Imaterial, desde 2014, estando a decorrer o processo de candidatura a Património Cultural da Humanidade da UNESCO.

A manter a tradição estão os artesões de Estremoz, podendo alguns dos ateliers serem visitados junto do centro histórico da cidade.

Se quiser aprofundar ainda mais esta história, no Museu Municipal Professor Joaquim Vermelho, no Largo D. Dinis, poderá visitar uma coleção etnográfica com grande enfoque nos bonecos e na olaria de Estremoz.

 

ATUALIZAÇÃO: A "Produção de Figurado em Barro de Estremoz", vulgarmente conhecida como "Bonecos de Estremoz", foi considerada Património Cultural Imaterial, a 7 de dezembro de 2017, na 12.ª Reunião do Comité Intergovernamental da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

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